Em sua experiência como engenheiro ambiental, Felipe Schroeder dos Anjos retrata que as ilhas de calor surgem quando o asfalto, o concreto e os edifícios tomam o lugar do solo permeável e das plantas, retendo o calor do sol durante o dia e liberando-o lentamente à noite. Esse fenômeno se intensifica em áreas onde a impermeabilização do solo ocorre de forma desordenada, resultando na perda da capacidade natural de resfriamento da cidade. Interessado em saber mais sobre? Continue lendo e veja como esse desequilíbrio térmico se forma e quais medidas conseguem reverter parte do problema.
Como o excesso de concreto e asfalto altera a temperatura local?
Tal como informa Felipe Schroeder dos Anjos, superfícies como asfalto e concreto absorvem grande parte da radiação solar durante o dia e liberam esse calor lentamente à noite, o que impede o resfriamento natural que ocorreria sobre solo exposto ou vegetação. Esse processo cria bolsões de ar mais quente sobre avenidas, estacionamentos e áreas centrais, formando o que se convencionou chamar de ilha de calor urbana.
Aliás, em bairros com maior densidade construtiva, a ausência de sombra e de superfícies permeáveis reduz a evaporação da água da chuva, processo que naturalmente resfria o ar. Assim, sem esse mecanismo, a temperatura em regiões centrais pode ficar vários graus acima da registrada em parques ou áreas com cobertura vegetal preservada na mesma cidade.
Por que a impermeabilização do solo intensifica as ilhas de calor urbanas?
A impermeabilização do solo ocorre quando pavimentos, telhados e construções substituem áreas que antes absorviam água e favoreciam a troca de calor com o subsolo. Felipe Schroeder dos Anjos demonstra que esse processo reduz a capacidade da cidade de regular sua própria temperatura, porque elimina os mecanismos naturais de resfriamento que o solo permeável oferece.

Quando grandes extensões de terreno perdem permeabilidade, a água da chuva escoa rapidamente para os bueiros em vez de infiltrar no solo, o que também compromete o lençol freático e a vegetação próxima. O resultado é um ciclo em que menos água disponível significa menos evaporação e, consequentemente, temperaturas mais altas nas áreas urbanizadas.
O que realmente reduz o efeito das ilhas de calor nas cidades?
Reduzir o efeito das ilhas de calor exige menos concreto e mais superfícies capazes de reter umidade e sombra. Isto posto, cidades que combinam arborização urbana com pavimentos permeáveis conseguem reduzir a temperatura local de forma mensurável, porque recuperam parte da capacidade de troca térmica que o solo original oferecia.
Mas, qual é a diferença entre pavimento permeável e pavimento comum? De acordo com Felipe Schroeder dos Anjos, o pavimento permeável permite que a água da chuva infiltre no solo, mantendo umidade e favorecendo a evaporação que resfria o ar, ao contrário do asfalto convencional, que retém calor e impede essa troca.
Essa diferença explica por que ruas totalmente pavimentadas concentram calor de forma mais intensa que vias com faixas verdes ou piso drenante nas laterais. Logo, ampliar esse tipo de intervenção nas áreas mais adensadas tende a produzir resultados perceptíveis em poucos anos, sobretudo quando associado ao aumento de cobertura arbórea.
Vegetação, drenagem e materiais: os caminhos práticos para o resfriamento urbano
Entre as medidas mais eficazes para conter o avanço das ilhas de calor urbanas, as seguintes práticas se destacam pela viabilidade técnica e pelo impacto direto na temperatura das ruas e edificações, sobretudo quando aplicadas de forma combinada e não isolada:
- Arborização urbana: o plantio de árvores de grande porte gera sombra e reduz a temperatura do ar ao redor em poucos graus.
- Pavimentos permeáveis: substituem parte do asfalto convencional e permitem a infiltração de água, favorecendo a evaporação natural.
- Telhados verdes e claros: reduzem a absorção de calor pelas edificações e diminuem a necessidade de climatização artificial.
- Ampliação de áreas verdes públicas: parques e praças funcionam como bolsões de ar mais fresco dentro da malha urbana.
Inclusive, nenhuma dessas soluções funciona, plenamente, de forma isolada, como pontua Felipe Schroeder dos Anjos, engenheiro ambiental. Desse modo, a combinação delas dentro do planejamento urbano tende a reduzir de forma consistente os pontos mais críticos de calor nas cidades.
Repensar o solo urbano é decisão de planejamento, não detalhe técnico
O avanço das ilhas de calor não é consequência inevitável do crescimento das cidades, mas resultado de escolhas sobre como o solo é ocupado e pavimentado ao longo dos anos. Assim sendo, tratar a impermeabilização do solo como decisão estratégica, e não como detalhe técnico de obras, é o que separa cidades mais resilientes ao calor daquelas que seguem reproduzindo o mesmo padrão de aquecimento.
