Para Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, muitos projetos de reforma cometem o mesmo erro de prioridade: concentram todo o investimento em revestimento, mobiliário e paleta de cores, deixando a iluminação artificial para uma decisão de última hora, resolvida com o que sobrou do orçamento. Esse tipo de escolha costuma produzir ambientes que impressionam durante as fotos feitas de dia, com luz natural entrando pela janela, mas que perdem completamente o efeito pretendido depois que o sol se põe e as luzes artificiais assumem o protagonismo do espaço.
O problema raramente aparece durante a obra, porque boa parte das decisões de iluminação é testada apenas depois que os móveis já estão no lugar e as paredes já receberam o acabamento final. Nesse ponto, corrigir a posição de um ponto de luz exige quebrar parede ou aceitar uma solução paliativa, como um abajur extra tentando compensar uma sombra que o projeto elétrico deveria ter evitado desde o início. Entender os erros mais recorrentes nessa etapa evita retrabalho caro depois que a reforma já foi entregue.
Concentrar toda a luz em um único ponto central do ambiente
O erro mais comum em projetos residenciais é depender de uma única luminária central, geralmente no meio do teto, para iluminar todo o ambiente de forma uniforme. Esse tipo de solução cria uma luz plana, sem profundidade, que ilumina o centro do cômodo, enquanto deixa os cantos e as paredes em sombra parcial, reduzindo a sensação de amplitude que qualquer decoração bem planejada tenta transmitir.
Distribuir a luz em pontos diferentes, combinando iluminação geral com pontos direcionados para paredes, quadros ou áreas específicas de trabalho, resolve esse problema sem exigir reforma estrutural adicional. Conforme elucida Daugliesi Giacomasi Souza, essa distribuição em camadas costuma custar pouco mais do que a solução central, mas muda completamente a percepção do ambiente durante a noite, quando a luz artificial se torna a única fonte disponível no cômodo.
Escolher temperatura de cor sem considerar o uso do ambiente
Lâmpadas com temperatura de cor fria, próxima do branco azulado, costumam ser escolhidas por parecerem mais modernas nas fotos de catálogo, sem considerar que esse tipo de luz reduz a sensação de conforto em ambientes de descanso, como quartos e salas de estar. O resultado é um espaço que parece mais adequado a um escritório do que a um lugar pensado para relaxar depois de um dia inteiro de trabalho.

Qual temperatura de luz é mais indicada para ambientes de descanso? A resposta direta é: temperaturas mais quentes, entre 2700 e 3000 kelvins, reproduzem uma luz mais próxima da vela ou do amanhecer, associada ao relaxamento, enquanto temperaturas acima de 4000 kelvins funcionam melhor em cozinhas e áreas de trabalho que exigem atenção e concentração.
Esse detalhe técnico raramente é explicado ao cliente no momento da compra das lâmpadas, o que faz muita gente escolher pela aparência da embalagem ou pelo preço, sem entender que a temperatura de cor errada pode anular todo o esforço colocado na escolha de móveis e paleta de tons do ambiente.
Ignorar a altura e o ângulo dos pontos de luz
Instalar spots de teto sem calcular a altura correta em relação ao piso é outro erro recorrente, especialmente em ambientes com pé-direito baixo, onde a luz posicionada muito próxima ao teto projeta sombras duras sobre o rosto de quem está sentado ou em pé no cômodo. Esse tipo de sombra é perceptível em fotos e prejudica a sensação de acolhimento do ambiente durante encontros noturnos.
O ângulo do feixe de luz também influencia diretamente a leitura do espaço, já que pontos direcionados de forma incorreta iluminam o teto em vez do plano onde as pessoas realmente circulam. Ajustar esse ângulo durante a instalação, testando com a mobília já posicionada sempre que possível, evita a necessidade de trocar toda a instalação elétrica depois que o ambiente já está decorado e em uso.
Esquecer que a luz muda ao longo do dia
Ambientes com grande entrada de luz natural durante o dia costumam receber pouca atenção ao projeto de iluminação artificial, sob a premissa de que a luz do sol já resolve o problema na maior parte do tempo. Esse raciocínio ignora que os dias mais curtos do ano e as horas noturnas exigem uma solução artificial tão bem pensada quanto a que aproveita a claridade natural durante as horas de sol.
Daugliesi Giacomasi Souza reforça que projetar iluminação pensando apenas no período diurno é um dos erros mais caros de corrigir depois, porque a instalação elétrica já está embutida na parede quando o problema se torna evidente, geralmente nos primeiros meses de outono ou inverno, quando as horas de luz natural diminuem de forma perceptível.
Corrigir a iluminação é resolver o que a decoração sozinha não alcança
Muitos dos erros descritos aqui não aparecem como falha visível durante a obra, mas se revelam lentamente, nas primeiras semanas de uso do ambiente já reformado. Um projeto de iluminação bem pensado evita esse tipo de decepção tardia, garantindo que o resultado da reforma seja consistente em qualquer hora do dia, não só durante a luz natural da tarde.
Esse tipo de cuidado técnico, muitas vezes invisível no resultado final, é o que separa uma reforma bem resolvida de uma reforma bonita apenas em fotografia. Daugliesi Giacomasi Souza costuma registrar esse tipo de detalhe nos bastidores dos projetos acompanhados pela DGdecor, mostrando etapas que raramente aparecem no resultado divulgado depois de pronto.
