Doutor Gilmar Stelo, advogado e fundador do Stelo Advogados, atua em uma profissão que passa por transformações tecnológicas, novas formas de trabalho e mudanças nas expectativas dos clientes. Nesse cenário, o conhecimento técnico continua indispensável, mas precisa ser acompanhado por capacidade de análise, visão estratégica e adaptação. Nos próximos anos, essas competências tendem a ganhar ainda mais importância diante de problemas jurídicos complexos, novas ferramentas tecnológicas e demandas profissionais que exigem respostas cada vez mais precisas.
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O conhecimento técnico continuará sendo suficiente?
A formação jurídica permanece como base da profissão. Conhecer legislação, jurisprudência, procedimentos e fundamentos jurídicos continua sendo essencial para interpretar situações e construir argumentos consistentes. A diferença está na forma como esse conhecimento será utilizado diante de problemas cada vez mais complexos. O domínio técnico precisa estar acompanhado da capacidade de relacionar diferentes normas e compreender como elas podem produzir efeitos concretos nas situações enfrentadas por pessoas, empresas e instituições.
O advogado precisará ir além da identificação de uma norma aplicável. Será necessário compreender o contexto em que determinado conflito surgiu, avaliar consequências e apresentar alternativas que façam sentido para o cliente. De acordo com o Doutor Gilmar Stelo, isso exige capacidade de conectar conhecimento jurídico com as circunstâncias concretas de cada situação. Também será necessário considerar fatores econômicos, administrativos e operacionais que possam influenciar a decisão, permitindo que a orientação jurídica seja compreendida dentro do problema como um todo.
A especialização também tende a continuar relevante. Quanto mais específico for determinado setor, maior pode ser a necessidade de profissionais capazes de compreender suas particularidades e antecipar os impactos jurídicos das decisões tomadas naquele ambiente. Esse conhecimento aprofundado permite identificar riscos com maior precisão e acompanhar mudanças que afetam diretamente determinada atividade, tornando a atualização profissional uma parte permanente da carreira jurídica.

Por que a capacidade estratégica tende a ganhar espaço?
Como destaca Gilmar Stelo, nem todo problema jurídico é resolvido pela escolha do argumento mais evidente. Em muitos casos, o profissional precisa comparar possibilidades, avaliar riscos, considerar diferentes cenários e definir qual caminho apresenta maior coerência com os objetivos do cliente. Essa análise exige que o advogado considere não apenas a questão jurídica imediata, mas também os possíveis desdobramentos de cada alternativa, evitando que uma decisão aparentemente adequada produza dificuldades em etapas posteriores.
Essa capacidade estratégica ganha importância porque empresas e organizações não procuram apenas respostas sobre o que a legislação permite. Elas também precisam entender quais consequências podem surgir a partir de determinada decisão e como reduzir a exposição a problemas futuros. A orientação jurídica passa, então, a contribuir para o planejamento, ajudando gestores a compreenderem os limites existentes, avaliarem opções e escolherem caminhos que conciliem seus objetivos com as exigências legais.
A tecnologia vai mudar o perfil do profissional?
A expansão da inteligência artificial e de outras ferramentas digitais tende a reduzir o tempo dedicado a algumas tarefas repetitivas. Pesquisa, organização de documentos, revisão e preparação de determinados materiais já podem receber auxílio tecnológico, o que modifica a rotina dos profissionais. Com isso, parte do trabalho que antes exigia execução manual pode ser realizada com apoio de sistemas digitais, permitindo que o advogado concentre sua atenção em atividades que dependem de análise e tomada de decisão.
Nesse cenário, saber utilizar ferramentas digitais será importante, mas não será suficiente. O advogado precisará desenvolver capacidade para avaliar resultados produzidos por sistemas, identificar informações inadequadas e decidir quando uma ferramenta pode ou não ser utilizada. Conforme informa o Doutor Gilmar Stelo, também será necessário compreender as limitações desses recursos, principalmente quando uma informação equivocada puder interferir na elaboração de um documento, na interpretação de um caso ou na definição de uma estratégia jurídica.
A tecnologia também aumenta o valor de competências que não podem ser reduzidas à automação. Raciocínio crítico, interpretação, argumentação e capacidade de compreender diferentes perspectivas continuam dependendo da atuação profissional e ganham relevância quando parte do trabalho operacional passa a ser automatizada. Quanto maior for a presença da tecnologia na rotina, mais importante será saber questionar resultados, relacionar informações e transformar dados disponíveis em uma análise jurídica adequada ao caso concreto.
