Levantamento encomendado pela Folha de S. Paulo mostra o governador com 46% das intenções de voto contra 30% do ex-ministro da Fazenda, mesmo cenário de meses atrás com pequena alta
A cerca de dois meses e meio das eleições estaduais de outubro, uma nova pesquisa Datafolha trouxe números que reacendem o debate sobre a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Divulgado em 5 de julho, o levantamento aponta o atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na liderança com 46% das intenções de voto, enquanto o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) aparece em segundo lugar, com 30%. A pergunta que move o noticiário político paulista agora é: esse cenário tende a se manter até outubro, ou ainda há espaço para mudanças significativas?
Os números da pesquisa e o que eles indicam
A pesquisa foi encomendada pelo jornal Folha de S. Paulo e ouviu 1.608 eleitores presencialmente em 71 municípios do estado, entre os dias 1 e 3 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%, e o levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob os números SP-01703/2026 e BR-06481/2026. Em comparação com o Datafolha anterior, de março, quando Tarcísio tinha 44% e Haddad, 31%, o quadro mostra estabilidade, com leve avanço do governador.
Quando considerados apenas os votos válidos, ou seja, excluindo brancos e nulos, Tarcísio soma 52% contra 34% de Haddad. Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa alcançar 50% dos votos válidos mais um voto. Esse recorte é importante porque ajuda a entender por que analistas políticos já discutem a possibilidade de o governador ser reeleito sem a necessidade de um segundo turno, algo que não ocorria de forma tão clara nas pesquisas anteriores deste ciclo eleitoral.
O instituto também simulou um cenário de segundo turno entre os dois principais nomes. Nessa hipótese, Tarcísio aparece com 53% das intenções de voto, contra 37% de Haddad, uma distância que se manteve praticamente igual à pesquisa anterior. Vale reforçar que esse é o primeiro Datafolha divulgado após a desistência de outros pré-candidatos ao governo do estado, como Paulo Serra (PSDB), Kim Kataguiri (Missão) e Felipe D’Avila (Novo), o que pode ter contribuído para a consolidação dos dois nomes principais na preferência do eleitorado.
Como está a avaliação da gestão de Tarcísio de Freitas
Além das intenções de voto, o Datafolha também mediu a aprovação da atual gestão estadual. Segundo o levantamento, 63% dos eleitores paulistas aprovam a administração de Tarcísio de Freitas, enquanto 32% desaprovam e 6% não souberam responder. Quando o recorte é sobre a qualidade do governo, 45% classificam a gestão como “ótima” ou “boa”, 32% como “regular” e 20% como “ruim” ou “péssima”.
Esse índice de aprovação ajuda a contextualizar a força do governador nas pesquisas de intenção de voto. Historicamente, avaliações positivas de gestão tendem a se refletir em desempenho eleitoral, especialmente em disputas para reeleição, quando o eleitor tem mais elementos concretos para julgar o desempenho de quem já ocupa o cargo, ao contrário do que ocorre com candidaturas novas, cuja avaliação depende mais de expectativa do que de resultados entregues.
O que esperar da corrida eleitoral até outubro
A eleição para governador de São Paulo está marcada para 4 de outubro de 2026, quando os eleitores também escolherão vice-governador, dois senadores, 70 deputados federais e 94 deputados estaduais. Tarcísio de Freitas foi eleito em 2022 com 55,27% dos votos, derrotando justamente Fernando Haddad, que também foi prefeito da capital paulista e candidato à Presidência da República em 2018.
Mesmo com a vantagem numérica, especialistas em ciência política costumam apontar que fatores econômicos e a conjuntura nacional tendem a influenciar o resultado final das urnas, já que o eleitorado costuma julgar governos também pelo desempenho da economia ao longo do mandato. Isso significa que, embora os números atuais favoreçam claramente o governador, a disputa ainda pode sofrer variações à medida que a campanha se intensificar e os debates públicos entre os candidatos começarem a ocorrer, já nos próximos meses.
Fontes: Poder360 | CartaCapital | Gazeta do Povo
